Ao contrário do que nós imaginamos a confiança não é um traço de personalidade, mas sim uma competência e como tal, pode ser treinada e desenvolvida. Podemos olhar para a confiança como sendo a habilidade de transformar pensamentos em acções.

Sabe aquele momento em que você decide iniciar algo, mas logo de seguida salta aquela parte de si que diz “espera, se calhar agora não é a melhor altura para começar”. Já lhe aconteceu?

E quando falamos em colocar em prática uma decisão, aplica-se a qualquer área da sua vida, mas hoje focamos-nos no emagrecimento.

Tanto no campo profissional como no pessoal, cada momento vivido é produto das nossas decisões. Se reparar, a vida em si é uma sequência de decisões.

O que significa decidir?

A etimologia do verbo “decidir” vem do latim “decidere”, que significa cortar fora. O ato de decidir consiste então em optar por uma coisa e excluir outra ou outras. Por isso o medo de tomar a decisão errada, muitas vezes leva-nos a hesitar e a deixar para outros ou ainda encarregar ao destino essa responsabilidade.

Sabia que para começar a altura é sempre a certa?

A partir do momento em que você se questiona se este é o momento para se comprometer com o seu emagrecimento é porque esta mudança começa a ocupar espaço na sua mente e os pensamentos emergem de forma recorrente.

A cada minuto do seu dia, o seu corpo reage fisicamente e muda literalmente consoante os pensamentos que passam pela sua mente. Para termos uma pequena noção da força da nossa mente, está comprovado que um pensamento é um evento electroquímico que ocorre nas células nervosas produtoras de um “turbilhão” de mudanças fisiológicas.

E você pode até tentar ignorar esses pensamentos intrusivos durante algum tempo. No entanto, o conflito que se vai gerando entre o ilusório e o real começa a tornar-se insuportável e compromete o seu bem-estar.

Sigo casos reais de pessoas que me confessam que estão há anos para tomar a decisão de mudar o peso físico e por consequência o peso mental. Isto significa que passaram anos a hesitar e a deixarem-se ir, colocando-se bem lá atrás na fila das suas prioridades.

Relato aqui um dos pensamentos de uma cliente “todos os dias pensava que tinha que emagrecer e fazer algo por mim. Aplicar em mim o que eu dizia aos outros, mas depois deixava para amanhã esta eterna vontade de mudança”. Ou seja, o pensamento estava lá, mas repetia-se diariamente bloqueado pela dança de forças opostas que em desequilíbrio acabam em hesitação.

A Marta diz que tomou a decisão no dia em que não suportava mais a dor e a própria descrença. Agora, Marta não consegue entender porque demorou tanto tempo até este momento acontecer. Pois, afinal não é tão difícil como parecia nos seus cenários mentais.

A decisão deve ser tomada conforme o processo de cada qual

A altura é sempre certa quando a decisão é tomada internamente. A minha experiência nesta área diz-me que a ideia base da decisão já vive há algum tempo na mente daquele indivíduo e quando amadurece está pronta para emergir na ação.

Então o que importa é tomar a decisão na sua mente e depois seguir em frente!

Lembre-se que investir em si, na sua imagem, na sua saúde, na sua auto estima é sempre o melhor caminho! E quando investimos em nós também estamos a melhorar o mundo à nossa volta. É como se fosse uma onda de boa energia que vai tomando forma há medida que você muda. E, muitas vezes, expande-se aos que estão ao seu lado.

Há mesmo casos em que a mudança foi extensiva a toda a família. Lembro-me de um senhor que dizia “a minha filha já emagreceu 4 quilos. Não entendo como, pois eu e a mãe é que estamos neste processo de emagrecimento. Ela come da nossa comida, mas é só isso.”

O facto de darmos o exemplo, de falarmos através dos nossos comportamentos, pode levar a uma modelagem natural e eficaz dos que vivem a nosso lado.

Madre Tereza de Calcutá já dizia “Sozinha não posso mudar o mundo, mas posso lançar uma pedra sobre as águas e fazer ondulações “.

A hesitação e o cérebro

Imagine que combinou ir almoçar com um amigo para lhe falar sobre uma ideia genial que você teve e gostava de partilhar com ele. Durante o almoço você tem a ideia na sua mente pronta a fluir, mas quando pensa em comunicá-la, pára e hesita.

Ora o cérebro fica confuso e pensa, “mas porque é que ela está a hesitar? Quando foi para comprar os bilhetes para aquele concerto, quando comeu aquelas panquecas maravilhosas, quando vestiu aquela t-shirt mais sexy, quando foi passear o cão, não hesitou! E agora está a hesitar em falar? Alguma coisa deve estar a acontecer.”

Acontece que quando hesitamos, exactamente nesse momento, essa pequena hesitação emite um sinal de stress para o cérebro, acordando-o. Assim, gera um estado de alerta e de sobrevivência que requer adaptação.

Os pensamentos e o subconsciente

Segundo Lynne McTaggart, autora do livro “the power of eight” e outros best sellers na área da consciência humana, a investigação mostra-nos que só pelo facto de pensarmos faz com que o cérebro liberte neurotransmissores. Estes são mensageiros químicos que permitem a comunicação com partes de si mesmo e com o seu sistema nervoso.

Os neurotransmissores controlam praticamente todas as funções do seu corpo.

Portanto, a cada vez que você hesita há produção neuro química de stress. Cada pensamento que você tem gera mudanças neuro químicas, umas temporárias e outras duradouras.

A partir do momento que o cérebro entra no registo de alerta, o nosso subconsciente entra em ação para garantir o estado de sobrevivência. Quando eu “calo” a minha ideia genial, o meu subconsciente absorve a informação. Põe-se em campo  e toma as diligências necessárias para que o meu diálogo interno seja coerente com a ação e com a minha intenção de sobrevivência e “bem-estar”.

A indecisão gera conflito interno

O cérebro tem formas interessantes de atuar. Nomeadamente, ele gosta de atuar naquilo que lhe é familiar. O que significa que ao abraçarmos o registo da hesitação este torna-se familiar e repetitivo e nós ficamos reféns deste registo.

Quando somos indecisos e hesitamos perante uma situação de dúvida, é como se estivéssemos simultaneamente em vários lugares e em lugar nenhum. A indecisão é um conflito entre as partes nossas discordantes que convergem numa divisão do nosso ego.

Esta divisão interna enfraquece-nos, suga-nos as energias e deixa-nos num estado de hesitação, paralisando-nos. Assim compreende-se que a indecisão recorrente pode reverter-se num conflito emocional, deixando a pessoa estagnada e paralisada pela dúvida.

O processo de decisão

António Damásio, apelidado por alguns como o “neurocientista das emoções”, diz-nos que decidir exige esforço. Para ele, o processo de escolha está longe de ser uma análise racional. Pois implica experiências passadas com um peso emocional na pessoa, evocando emoções e sentimentos que influenciam a tomada de decisão.

Lembre-se, tomar decisões é um processo de amadurecimento que se aprende fazendo.

Decidir desenvolve e fortalece a nossa liberdade pessoal, independente do medo das opiniões, julgamentos e expectativas dos outros.

Somos criadores da nossa realidade

Resumindo, podemos deixar que as circunstâncias e variáveis da vida moldem a nossa existência ou podemos assumir a responsabilidade das nossas escolhas. Ignorar os “MAS” que surgem como reforço das nossas crenças limitantes e histórias antigas que tentam, a cada vez,  justificar o adiar daquele objectivo URGENTE para o seu desenvolvimento, felicidade e bem-estar.

Nenhum projecto, sonho ou objectivo se realiza sozinho, mas sim por meio de uma decisão que promove uma ação. A indecisão recorrente não leva à ação. Muito menos à realização. Portanto, a partir do momento em que você pensa em mudar, aproveite. Tome o controlo da sua vida e mude com o poder da sua mente!

Acredite, o seu poder para influenciar suas realidades física e mental é muito maior do que você possa imaginar!

 

Dra. Isabel Rebelo
Psicóloga e Hipnoterapeuta
Coach de emagrecimento e estilo de vida saudável

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