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Em tempos de quarentena, a criatividade serve como potenciadora de mudança e do desenvolvimento, quando devidamente trabalhada em nosso benefício.

Devemos usar e abusar da criatividade mental para de alguma forma, passando à práctica, concretizarmos algo. Qualquer acção humana envolve as duas componentes em simultâneo. Separar o lado físico do lado mental é um erro, em qualquer que seja a área.

Como sabemos tudo começa na mente, para que depois o corpo, a respiração, a postura tome a sua forma.

Ora experimente dizer que está feliz com os braços, o tronco e a cabeça prostrada? Por favor faça-o agora! Ou pode também fazer o contrário, dizer que está triste, mantendo aquela posição triunfante do Ronaldo! Ponha esta sugestão em prática e reflicta sobre o que sentiu.

De facto, é quase impossível não se sentir emocionalmente baralhado, quando a mente diz uma coisa e o corpo responde de outra forma. E há mais! É que não nos é possível sentir duas emoções em simultâneo. Ou seja, estar triste e feliz ao mesmo tempo, não é possível. Ou estou triste, ou estou feliz.

Dica de funcionamento da mente

É também curioso saber que, até as emoções podem ser viciantes. Seja qual for o modelo da mente, sabemos que a forma como a nossa mente funciona é, privilegiando o familiar, o conhecido. Ou seja, quando agimos de acordo com o que nos é familiar, sentimos uma “ilusão” do controlo. Por isso é tão difícil lidar com o desconhecido a curto prazo e ainda mais difícil, quando é brusco e intenso.

Repare que a repetição é algo que as pessoas utilizam para tornar algo em verdadeiro e familiar. Lembre-se que o cérebro não distingue o “real” do “imaginário”, senão, aquele indivíduo que foi assaltado, não sentiria as mesmas sensações de medo, pânico e choque no corpo como se estivesse a passar pela mesma experiência novamente, quando passa pelo local do evento ou quando relembra o assunto.

Acontece que pensamos por imagens e sons, e quando visualizamos no cérebro eventos pessoais traumáticos, estamos a activar áreas do cérebro, como se lá estivéssemos. Por isso o corpo reage. Quanto mais o fazemos, mais reforçamos essas sensações e emoções. Assim acreditamos no prolongamento dessa realidade. Assim reforçamos crenças pessoais que muitas vezes nos limitam na vida e não fazem sentido, quando temos a capacidade de olhar de fora para determinadas situações. Por exemplo, quando uma pessoa, porque apanhou um susto com um cão, tem medo de todos os cães com que se cruza, mesmo quando perante um cão doente, sem forças para latir.

O poder dos pensamentos

Repare que a cada minuto do seu dia, o seu corpo reage fisicamente e muda literalmente consoante os pensamentos que passam pela sua mente. Para termos uma pequena noção da força da nossa mente, está comprovado que um pensamento é um evento electroquímico que ocorre nas células nervosas produtoras de um “turbilhão” de mudanças fisiológicas.

Neste sentido, e de acordo com Robert Dilts, autor, e reconhecido internacionalmente como um dos grandes profissionais da PNL (programação neurolinguística), os nossos pensamentos provocam efeitos físicos nos nossos órgãos principais através do sistema nervoso, do sistema endócrino, e do sistema imunológico. Percorre o corpo como os fios de uma teia, tocando o nosso sistema nervoso simpático, gerando energia de alerta, e o sistema parassimpático, onde a energia que emerge é de relaxamento.

Assim sendo, podemos imaginar o poder do nosso pensamento quando repetimos imagens boas na nossa mente. Quando contrariamos o nosso pensamento resistente e o “afastamos” e o desfocamos para níveis mais afastados da nossa atenção.

O resultado são pensamentos que substituem outros e que se tornam mais fortes, há medida que os reforçamos nos nossos caminhos neuronais.

Lembro-me muito bem de um dos primeiros cursos online que devorei sobre esta matéria, onde Gerald Kein, fundador da OMNI Hypnosis Training Center, reforça o facto de que todo o ser humano anseia pelo mesmo, por  segurança. É realmente o que todos queremos desde o primeiro dia de gestação. Aliás, quando na barriga da mãe, absorvemos insegurança, a probabilidade de a vida correr de acordo com este valor, aumenta tendencialmente.

Em momentos de crise, o desconhecido aumenta, impera, logo é comum sentirmos insegurança, medo e outros sentimentos que surgem, de acordo com as vivências que cada um traz.

Gerar novas perspectivas mentais

Agora peço-lhe que imagine um quadro, uma fotografia ou qualquer imagem que lhe chegue à mente.

Imagine-a agora bem à sua frente, durante uns segundos e sinta o que sente. Agora imagine essa imagem no seu lado direito, bem à sua frente. Depois mude-a para o seu lado esquerdo. E, sucessivamente, mude o lugar desta imagem na sua imaginação, de modo a que o seu cérebro consiga captar várias perspectivas da mesma imagem. Faça-o, no mínimo dez vezes durante 4 a 5 segundos em cada imagem. No fim observe a mesma imagem e observe o seu sentimento.

Repare como é possível treinar a sua mente a obter várias perspectivas de um mesmo evento/ imagem. Ao fazer isso, você está a criar novas ligações neuronais que o/a vão ajudar a criar novos caminhos, formas de ver, sentir, pensar e agir, mesmo neste exercício tão simples.

O piloto automático deve mudar de piloto

Lembre-se que grande parte de nós, age no automático, e as emoções também estão incluídas.

Já lhe aconteceu chegar ao destino do seu trabalho e nem se lembrar do caminho percorrido? Ou ter feito determinadas tarefas de rotina em casa e não se lembrar se foram ou não realizadas? Desafia/o agora a enumerar 5 experiências ocorridas no mês passado em que você agiu em piloto automático.

E lá está, são formas que de funcionar que nós encontramos, por alguma razão, e que se não as observarmos, pararmos, será difícil sair dessa programação mental. Podemos mudar a química do cérebro, mas precisamos aprender novos hábitos para o fazer.

Em PNL, o termo “estratégias” é usado para descrever como as pessoas colocam em sequência as suas imagens internas e externas. Sons, sensações, paladar e olfacto, a fim de produzir uma crença, um comportamento ou um padrão mental.

Faça uma revisão nas situações adversas pelas quais já passou e identifique as hipóteses projectadas para soluções, e quais os seus recursos que utilizou para as gerir e ultrapassar.

Lembre-se, ao torcer repetidamente um tubo de metal, conseguimos que ele mude a sua forma de radicalmente.

No contexto actual é importante encontrarmos novas formas, perspectivas para contrariarmos dificuldades de adaptação, dificuldades de reinvenção pessoal e de desenvolvimento.

Antes de mais questione-se:

  • Quantas vezes uma situação deste tipo se revelou com esta negatividade anteriormente?
  • Quais as evidências que você pode reunir de que a situação terá um final negativo?
  • Pergunte-se a si mesmo/a se a sua objectividade não está a ser comprometida pelo tipo de pensamento “tudo ou nada”?
  • Existem outras maneiras, outros ângulos de ver a situação, outras explicações?
  • Faça uma lista de medos e das suas reacções específicas de ansiedade associadas a pensamentos automáticos viciados. Será que me comporto com base unicamente nesta lista?

 

Algumas sugestões Cognitivo comportamentais integrativas

  •  Aprenda técnicas de respiração diafragmática como forma de gerir uma resposta de relaxamento e calma. Treine 5 vezes ao dia. Existem aplicações gratuitas que ensinam várias técnicas básicas.
  • Visualize a forma como se quer ver, como se quer sentir em determinadas situações. Procure memórias da sua vida onde se viu e sentiu exactamente dessa forma. Se não tiver memórias imagine, retire imagens de revistas ou encontre uma pessoa de referência. Treine a sua mente a ver-se assim, e a sentir-se assim, 5 vezes ao dia.
  • Desenvolva novas competências de leitura; de reciclagem de materiais; de tele trabalho (digital); de apoio ao outro; reorganização da casa; etc.
  • Pratique exercício físico. As novas tecnologias disponibilizam-nos aplicações com vários planos de exercícios que podemos praticar em casa, desde os mais simples aos mais complexos e exigentes. O importante é mudar a energia no corpo.
  • Aprenda exercícios de meditação que acalmam e “limpam” a sua mente, deixando-a mais serena e forte para gerir a rotina ou a construção de novas rotinas. Existem aplicações gratuitas que ensinam e incentivam à pratica da meditação.
  • Encontre e valorize um grupo de suporte. Fale com pessoas com atitude positiva, da sua confiança sobre as situações. Lembre-se que não está sozinho no contexto actual. A evolução tecnológica e das comunicações permite-nos uma quarentena acompanhada.
  • Pratique a gratidão. Em momentos de crise, por vezes, é bem possível valorizarmos momentos que outrora eram banalidades diárias.

Em suma, não somos os nossos pensamentos, mas somos aquilo que pensamentos diariamente. Introduza novos pensamentos e repita-os na sua mente até se tornarem realidade. Desta forma, é você quem gere a sua mente, não a deixando à “deriva”. Mesmo que a realidade seja difícil é possível vivê-la de forma mais confortável e positiva.

Ao mudar a estratégia mental, muda o corpo, muda a sensação e o comportamento.